segunda-feira, 10 de julho de 2017

...E precisamos somente de um, de verdade!

Sábado último, dia 8 de julho, em um intervalo de poucas horas, o Brasil teve nada menos do que três presidentes da República. Com as viagens ao exterior em missões oficiais do primeiro mandatário do Palácio do Planalto e do presidente da Câmara dos Deputados (primeiro na linha sucessória), estava no exercício da Presidência da República o presidente do Senado, Eunício Oliveira. No meio da tarde assumiu o cargo o deputado Rodrigo Maia, que chegara da Argentina. Ao fim da tarde, reassumiu o comando da Nação o Michel Temer, que antecipara o seu retorno da 12ª reunião de cúpula do G20 em Hamburgo, na Alemanha, onde pelo segundo ano consecutivo fora simples e vergonhosamente ignorado (o primeiro e acintoso desprezo tinha sido registrado no 11º encontro do G20, realizado em Hangzhou, na China, em setembro do ano passado).

E assim, de "Vampiro" para "Índio", de "Índio" para "Inca", de "Inca" para "Vampiro",... O Brasil mostra a sua cara, envergonha a Nação e continua sangrando e sendo sugado. Essa imagem que, por seu aspecto inusitado e a irreverência do brasileiro, pode ser tomada como mais um mero acontecimento constituidor de uma nova piada, simboliza de fato um quadro trágico da nossa representatividade e, desgraçadamente, uma caricatura fiel do cúmulo de degradação da política contemporânea.

No próximo ano teremos eleição para presidente da República. Por toda essa degenerescência sem-par e a ausência de um líder capaz de mobilizar e unir a Nação em torno de um projeto de Brasil há um temor de que estejamos nos aproximando cada vez mais, e perigosamente, de um estágio em que as pessoas estarão predispostas a seguir alguém que, com um mínimo de carisma, personifique e lhes aponte "valores" e condições capazes de arrancar o País desse ignóbil labéu. Os brasileiros e os povos do resto do mundo já conhecem e foram vítimas desse enredo...

Por: José Carlos Martins
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