quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aliados articulam pós-Temer e presidente resiste

Intensificaram-se as conversas entre aliados do governo sobre a hipótese de substituição de Michel Temer pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Alheio aos sinais de fragilidade, Temer reuniu 26 ministros na noite dessa quarta-feira (22 titulares e quatro interinos). Reiterou sua disposição de lutar pelo cargo. Distribuiu cópias da defesa entregue horas antes à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pelo advogado Antonio Cláudio Mariz. Pediu apoio e mobilização para assegurar os votos necessários à rejeição da denúncia que o acusa de corrupção. Tachou a acusação de inepta. E disse estar convicto de que prevalecerá sobre o procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Enquanto o Planalto cantava vitória, Rodrigo Maia dizia em privado que Temer ainda não dispõe de votos para barrar na Comissão de Justiça a denúncia da Procuradoria. Faltam-lhe inclusive os votos dos pseudoaliados do PSDB. Dos sete tucanos com assento na CCJ, apenas Paulo Abi-Ackel está propenso a salvar Temer.

Um dia depois de Aécio Neves ter defendido o apoio a Temer em discurso no Senado, Tasso referiu-se à possibilidade de o tucanato finalmente desembarcar do governo como algo inevitável: “Não se pode brigar com os fatos. Certas coisas a gente não controla”, disse ele ao comentar os humores do ninho. Mesmo no Senado, sete dos 11 integrantes da bancada tucana já torcem o bico para Temer.

Ironicamente, Temer sofre o mesmo processo de erosão que fez ruir o apoio de Dilma Rousseff no Congresso. Nesse enredo, Rodrigo Maia está para Temer assim como Temer estava para Dilma.

(com informações do Blog do Josias de Souza)