segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ciro diz que aliança com PSB é “desejável”

Com ambição de unir o campo popular e progressista para as próximas eleições, o pré­candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) não poupou ataques a quase ninguém durante passagem pelo Recife, onde palestrou para universitários. O tom amistoso ficou reservado para falar sobre o PSB. Uma aliança com o ex­partido em 2018 seria “desejável”, disse o ex­ministro.

Ciro reconhece, no entanto, que no momento a parceria com o partido é improvável. Para o ex­ministro, desde a tragédia da morte do ex­governador Eduardo Campos ­ a quem Ciro se refere como “um amigo” ­ o PSB não conseguiu “se encontrar”. Ele afirmou que faz essa crítica “fraternalmente” e que está vendo com “muita esperança” o movimento do partido de se afastar do governo Michel Temer.

O ex­ministro disse que não alimentava ilusão de que o resultado do julgamento da chapa Dilma­Temer fosse diferente. “Na medida em que Michel Temer manipulou a composição do Tribunal, me pareceu que estava escrito”, afirmou. Para o pedetista, a absolvição da chapa provocou uma repulsa popular que agrava credibilidade do Judiciário e das instituições brasileiras. “Talvez a população brasileira tenha mais um elemento para esquentar os protestos . Se isso não acontecer, a tragédia brasileira vai encontrar um fundo do poço cada vez mais fundo. O povo está muito catatônico e quieto. Isso é a parte que mais me angustia.”

Ele é cético em relação à possibilidade de eleições diretas antecipadas, embora defenda essa tese. Com a atual formação do Congresso – “um puteiro, com todo respeito às putas”, classificou – são remotas as chances de impeachment. Uma renúncia do presidente seria ainda mais improvável, para Ciro. “Temer é um canalha conheço de mil anos”, disse aos universitários.

Ciro afirmou que a economia não dá nenhum sinal de retomada, com exceção do setor rural que se beneficia de melhores preços no mercado internacional e boas condições climáticas. “Mas não devemos nada ao governo por isso, todas as medidas adotadas são contracionistas. Não estamos combatendo inflação coisa nenhuma, estamos matando a economia”, afirmou.

Durante sua palestra, Ciro voltou a dizer que Lula fará um “desserviço” se for candidato em 2018, pois empobrecerá o debate. Questionou o “ambientalismo difuso” da ex­-senadora Marina Silva (Rede) e, como é de praxe, atacou o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), seu possível adversário em 2018. “Agora ele quer prender todo mundo”.

(com informações do Valor Econômico)