sábado, 27 de maio de 2017

Janot diz que Temer fez confissão e pede ao STF para interrogá-lo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que o presidente Michel Temer fez uma “confissão espontânea” ao admitir, em seus pronunciamentos, um encontro com o dono da JBS Joesley Batista, no Palácio do Jaburu, no fim da noite do dia 7 de março. Em petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, Janot pede que sejam marcados depoimentos de Temer, do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR)

O presidente e os parlamentares afastados são alvo de inquérito aberto com base na delação dos acionistas e executivos do Grupo J&F - holding que inclui a JBS. Temer e os parlamentares afastados são investigados pelos crimes de corrupção passiva, obstrução de Justiça e constituição e participação em organização criminosa.

Horas depois de a Procuradoria-Geral da República solicitar os depoimentos ao relator da Lava Jato na Corte, Edson Fachin, a defesa de Temer pediu ao relator que o inquérito seja redistribuído, em um sorteio de um novo relator, e seja desmembrado, para que a investigação sobre o presidente corra em separado à apuração das suspeitas envolvendo Aécio e Rocha Loures.

A manifestação formal de Janot foi a primeira em relação às suspeitas apuradas inquérito aberto no Supremo. "Em que pese Michel Temer alegar ilicitude da gravação e questionar a integridade técnica desta, cumpre ressaltar que, em pronunciamentos recentes, o presidente da República não negou o encontro nem diálogo noturno e secreto com o colaborador Joesley Batista, tampouco nega que o colaborador tenha lhe confessado fatos criminosos graves, o que demandaria, no mínimo, comunicação de tais crimes as autoridades competentes", escreveu o procurador-geral.

Para Janot, nos pronunciamentos de Temer - nos dias 18 e 20 deste mês -, houve “confissão no sentido de que os interlocutores dialogaram sobre possível corrupção de agentes públicos”. Nesta semana, a Polícia Federal já havia solicitado uma data para que o presidente fosse ouvido, mas Fachin afirmou que só daria continuidade à perícia das gravações feitas por Joesley da conversa no Jaburu.

Fonte: Agência Estado