quarta-feira, 17 de maio de 2017

‘Eu serei candidato’ diz Ciro Gomes

Em entrevista à DW Brasil, o ex-governador do Ceará, ex-ministro e pré-candidato à Presidência nas eleições de 2018 Ciro Gomes afirmou que sua candidatura depende exclusivamente do PDT e descartou ser vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministro da Integração Nacional entre 2003 e 2006.
  
Em Londres para a conferência Brazil Forum, o pré-candidato lembrou, porém, que “não gostaria de estar num cenário com o Lula candidato”. Segundo ele, o ex-presidente “radicaliza uma divisão entre brasileiros”, dificultando um debate sobre o futuro do país.

O ex-ministro reconheceu a necessidade de reformas no País, porém, classificou de “desastre” as propostas do governo Michel Temer: “Isso é tachterismo mofado, que não foi experimentado em nenhum país do mundo”, disse à DW, no domingo 14.

Sem citar diretamente o juiz Sérgio Moro, o político também apontou imparcialidades na Operação Lava Jato, que, segundo ele, podem colocar em risco toda investigação.

Veja trecho da entrevista:

DW Brasil: Recentemente, o senhor disse que não gostaria de ser candidato se Lula também fosse. Na semana passada, o ex-presidente anunciou que será candidato. Quais são seus planos e do seu partido?
Ciro Gomes: Eu serei candidato ou deixarei de ser numa única e exclusiva circunstância: o meu partido [PDT] decidir que eu sou. Isso dito, eu sigo dizendo que não gostaria de estar num cenário com o Lula candidato.

DW: Por quê?
CG: O Lula, do jeito que as coisas estão no Brasil, passionaliza imediatamente o ambiente, radicaliza uma divisão entre brasileiros simpatizantes do Lula e brasileiros que o odeiam. Dessa maneira, o País não terá a oportunidade de discutir o seu futuro, a complexidade dos seus problemas, a estratégia de superação desta crise monstruosa pela qual estamos passando.

Essa é a razão pela qual eu não gostaria de ser candidato. Gostaria de ser candidato num ambiente em que pudéssemos pautar o debate em relação à compreensão dos problemas brasileiros e às soluções que cada um é capaz de propor.

DW: O senhor acredita que Lula tem chances de se tornar candidato mesmo sendo réu em vários processos da Lava Jato?
CG: Pela legislação brasileira, ele só não poderá ser candidato se tiver uma condenação em segunda instância transitada e julgada.

DW: Aceitaria ser vice do Lula?
CG: Não.

(com informações da Carta Capital e DW Brasil)