terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Faculdades INTA promove retaliação aos alunos contrários à realocação dos cursos

O Instituto Superior de Teologia Aplicada (INTA), Sobral - CE, instaurou nesta segunda-feira, 30, uma Comissão de Sindicância Administrativa que intimou alunos do curso de Jornalismo a prestarem esclarecimentos por, segundo a Instituição de Ensino Superior (IES), denigrirem a imagem da faculdade ao se manifestarem contra a realocação dos cursos de História, Jornalismo, Pedagogia e Serviço Social da Sede para o Anexo Parque da Cidade.

O caso ocorreu no início de janeiro deste ano, após forte articulação nas redes sociais informando sobre os problemas que implicavam a realocação de tantos alunos para uma área perigosa da cidade, sem estrutura adequada e longe de qualquer mobilidade urbana, os estudantes propuseram discutir a decisão com o setor jurídico das Faculdades INTA que, em nota, revogou a mudança e assegurou a permanência dos cursos envolvidos no prédio sede.

Contudo, a conquista dos acadêmicos não alegrou o Diretor Presidente da faculdade, Oscar Rodrigues Junior, que pediu a criação da comissão como forma de retaliação aos alunos envolvidos com o movimento. Presidida pelo Pró Diretor de Segurança Institucional (PROSEGI), Cel. Raimundo Tadeu de Araújo, a sindicância já notificou alguns alunos para depor sobre publicações nas redes sociais onde os mesmos sofrem acusação por difamarem a instituição.

Notificados através de uma carta ofício, os alunos também foram chamados pela coordenação do curso de Jornalismo que informou “existir um coronel que desejava falar com os mesmos”. A comissão, inclusive, escolheu a própria coordenação do curso para depor contra os alunos envolvidos, uma verdadeira articulação para oprimir os alunos que expressaram sua indignação com a mudança dos cursos sem nenhum acordo, uma clara tentativa de punir e silenciar, da maneira mais hostil, alunos que pagam pelos serviços prestados, que podem e devem manifestar sua insatisfação sobre qualquer produto que consumam, além de estarem assistidos pelo direito constitucional à liberdade de expressão.

O que é curioso é que mesmo sem nenhum aluno ter atentado contra a segurança ou o patrimônio do espaço durante o período de reivindicação, visto que a campanha foi virtual, a comissão de sindicância é composta por membros da segurança do patrimônio da instituição e não pelo jurídico, o que reforça a ideia de punir a qualquer modo, desde que o faça.

Ou seja, o que ocorre é uma clara tentativa de intimidar os alunos por parte da própria instituição, um caso inadmissível dentro de qualquer esfera, sobretudo, a educacional que deveria preservar o diálogo e não incitar o ódio, a passionalidade e métodos pouco harmoniosos de gerir as relações com seu corpo discente. Estamos diante de uma cena explícita de violência simbólica, uma IES que utiliza sua estrutura e funcionários para coibir qualquer um que expresse opinião contrária a institucional, um quadro de repressão dentro do Ensino Superior sobralense, resquícios de uma ditadura mais elaborada, é preciso ficar alerta!

O caso está em andamento e terá duas audiências, uma nesta quarta-feira, 01, onde as testemunhas de acusação escolhidas pelas Faculdades INTA prestarão depoimento e outra na sexta-feira, ocasião onde os alunos apresentarão sua defesa. Caso sejam comprovados os atos de difamação, maior empenho da faculdade neste momento, os estudantes sofrerão a quebra de contrato, em outras palavras, serão expulsos sem quaisquer direitos, tudo isso porque foram corajosos em discordar da excelência de ensino vendida pela instituição, que a essa altura, não convence mais ninguém.

DETALHES
- O texto acima foi enviado por email por um aluno da Intituição, que terá sua identidade preservada para que não possa sofrer retaliações como estão sofrendo seus colegas.


- A OAB Sobral foi comunicada da situação e deverá disponibilizar apoio jurídico aos estudantes que estão sendo ameaçados.